sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

No Dia da Imaculada Conceição

 
«Vós estais, Senhor, sempre com Maria e Maria sempre Convosco e nem pode estar sem Vós: de contrário deixaria de ser o que é; ela está de tal modo transformada em Vós pela graça que ela não vive, que ela não existe, mas Vós somente viveis e reinais nela mais perfeitamente do que todos os anjos e bem-aventurados (…).»

«A Santíssima Virgem foi o meio de que Nosso Senhor se quis servir para vir a nós; deve ser também o meio de que nos devemos servir para ir a Ele.»

«A mais forte inclinação de Maria é unir-nos a seu Filho; o mais forte desejo do Filho é que venham a Ele pela Sua santa Mãe».


                            S. Luís Maria de Montfort, Tratado da verdadeira devoção à Santíssima Virgem Maria, pp. 65-66, 77 e 78.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Jerusalém, capital do mundo judaico


A decisão de Trump (noutras questões muito polémico, de facto) reconhecer Jerusalém como capital de Israel e colocar lá a embaixada dos EUA, parece ter escandalizado países como a Turquia, mas igualmente a França de Macron e a Alemanha, ainda de Merkel e o próprio Secretário Geral da ONU, António Guterres.

Mas, nesta questão, não vemos que Trump possa estar errado. Como não reconhecer que Jerusalém deveria sempre ter sido a capital judaica? Capital de Israel fundada há 3000 anos pelo rei David (conquistador do monte Sião ou Jerusalém, chamada depois a cidade de David), não terá um direito milenar a seu favor, ainda que, em várias épocas da História, este lhe tivesse sido escamoteado? Como escreveu Daniel Rops, "no tempo de Cristo (há 2.000 anos), havia dez séculos que Jerusalém era o centro sagrado do povo de Deus" («A vida quotidiana na Palestina no tempo de Jesus», p.97).

Se, em 1917, a declaração de Balfour, "pela qual a Grã-Bretanha reconhecia aos Judeus os direito históricos sobre a Palestina para facilitar a criação de uma 'pátria nacional' para os judeus sobre a terra dos seus antepassados" (Epstein, «Le Judaisme», p.296), nos anos do Nazismo (ditadura de Hitler na Alemanha e nas suas ocupações de países da Europa), foram perseguidos e mortos à volta de 6 milhões de Judeus europeus.

Para os compensar dos trágicos acontecimentos, o Estado Judaico é reconhecido pelas Nações Unidas, em 1948, com o nome dos tempos antigos, Israel. Renascia o Estado Judaico. Contudo, com dois estados independentes, um árabe e outro judeu (o que não chegou a efectivar-se). Desde então, desde esta imposição da ONU, a guerra não tem tido muitos intervalos. E os árabes continuam a reivindicar o território que historicamente não lhe pertence de direito.


7/12/2017



Teresa Ferrer Passos

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

A Restauração de 1640 e D. Antão de Almada*




  Portugal elevava-se das sombras e do nevoeiro na hora em que as coroas de Portugal e Espanha se separaram. Foi a hora em que a conspiração organizada pela nobreza portuguesa na residência de D. Antão de Almada (onde agora nos encontramos reunidos) vibrou o grito de liberdade aclamando D. João, Duque de Bragança, rei de Portugal. O acto revolucionário de 1 de Dezembro de 1640, reerguia Portugal à sua dignidade de nação independente, após um cativeiro de sessenta longos anos. Como diria o Padre António Vieira, logo após regressar do Brasil para apoiar a revolução (num sermão proferido na capela real em 1641), «era empresa esta tão difícil, representava-se tão impossível ao discurso humano, que ainda agora parece que é sonho e ilusão». E mais adiante, acrescentava: «Da mesma maneira se deu princípio à redenção e restauração de Portugal, em tais dias e em tal ano, no celebradíssimo (ano) de 40, porque esse era o tempo oportuno e decretado por Deus; e não antes como os homens quiseram».
     Na verdade, depois da publicação mais ou menos clandestina ou camuflada de toda uma literatura de propaganda anti-espanhola - poesia, peças de teatro, tratados jurídicos, folhas volantes, etc -, depois da revolta popular do Manuelinho de Évora - que se estendeu a outras cidades do Alentejo e Algarve e que durou quase um mês -, não havia dúvida de que se o Povo, o desejava, a nobreza e o Duque de Bragança, legítimo herdeiro do trono de Portugal, não podiam deixar de tomar uma atitude inequívoca, logo que o momento o propiciasse.
     E, de facto, se Lisboa era «la mayor ciudad de Epanã», se «era a máquina insigne» com 130.000 vizinhos, 1130 quintas e uma outra cidade no magnífico estuário do Tejo, com um número espantoso de barcas e caravelas e galeras, como o reconhecia o espanhol Tirso de Molina na obra O Burlador de Sevilha, se como escrevera Camões, em Os Lusíadas «E tu nobre Lisboa, que no mundo / facilmente és princesa» ou ainda «Tu a quem obedece o mar profundo / obedeceste à força portuguesa»,  o golpe de Estado só aqui tinha condições para sair vitorioso.
     E é Oliveira Martins quem, na sua História de Portugal, nos lembra que «Portugal é Lisboa, e sem Lisboa não teria resistido à força absorvente do movimento de unificação do corpo peninsular». Contudo, sem a corte na aldeia podemos nós dizer que Lisboa seria por si só impotente para a recuperação da independência de Portugal. Foi precisamente essa corte sediada na solitária Vila Viçosa, a poucos quilómetros da não menos provinciana cidade de Évora, que a resistência ao ocupante se manteve durante tão difíceis anos, atenta às prepotências e às humilhações que nos levavam vidas em guerras que não eram as nossas e cumulavam de impostos os parcos haveres de artesãos e camponeses.
     A pensar no povo sofredor, os heróis do passado português são exaltados, pelos sabedores, como uma forma de perpetuar a esperança na libertação. Em 1610, Francisco Rodrigues Lobo publicava O Condestable de Portugal, em que se enaltecem os Braganças, simbolizados no seu herói de Aljubarrota e, em 1619, edita a Corte na Aldeia, outra apologia da língua e das preciosidades de Portugal. Em 1624, Manuel Bocarro, matemático e filósofo, profetiza a restauração, não por um D. Sebastião nunca mais visto, mas por alguém do seu sangue, a Descobrir… (na obra Anacefaleoses da Monarquia Lusitana). E, segundo a tradição, seria o Padre José de Anchieta a dizer: «O Exército perdeu-se em África, mas o Rei pode pôr-se a salvo: mas há-de andar muitos anos ausente do Reino, e só tornará depois de muitos trabalhos». Várias exortações de Portugal surgem em obras de Manuel de Faria e Sousa (1628), António de Sousa de Macedo (1631) e, tantos outros.

O Presidente da S.H.I.P., a autora e o apresentador A.M.Couto Viana

     A Revolução triunfante eclodiu em 1640, precisamente no dia 1 de Dezembro! Em dia de sábado! Os conspiradores, na casa do entusiástico D. Antão de Almada, escolheram este dia porque para eles era um dia muito especial, precisamente o dia da semana dedicado à Virgem Maria. A Virgem Mãe, venerada nos trovadores medievais galaico-portugueses e a quem D. Afonso Henriques, nosso primeiro rei, consagrou desde logo o Reino. A Virgem, honrada nos momentos mais decisivos da nossa história, com a construção dos mosteiros de Alcobaça, da Batalha e dos Jerónimos. A Virgem, a quem D. João, Duque de Bragança, e já rei D. João IV - o primeiro da 4ªdinastia da Casa de Bragança -  confirmado pelas Cortes, reunidas em Lisboa, em 1641, viria a consagrar o reino de Portugal, no santuário da pequena Vila Viçosa, com a designação de Rainha e Padroeira de Portugal. A Virgem, cujas aparições aos pequenos pastores na serra de Aire, no lugar de Fátima, revelou a sua dedicação aos Portugueses, conferindo a este cantinho serrano de Portugal um carácter cosmopolita.
     Foi este dia de sábado - o 1º dia do mês de Dezembro - talvez o mais desejado de toda a História de um Portugal, com quase nove séculos de história! No passado, como em tempos mais recentes,  muitos escritores se inspiraram no tema do Desejado ou no mito Sebastianista, o mito da espera de um salvador da Pátria. Após a queda da Monarquia, alcançada, por um lado, em consequência do criminoso atentado que tirou a vida ao rei D. Carlos I e ao Príncipe herdeiro D. Luis Filipe, e, por outro, devido à revolução militar republicana, levada a cabo dois anos depois, em 5 de Outubro de 1910 (é de salientar que não se deveu o fim do Regime monárquico à inexistência de parlamentarismo democrático, pois este já existia desde 1820, mas pelo qual o partido republicano perdia sempre as eleições, em favor de outros partidos), muitos escritores se inspiraram nas suas obras nessa sebástica espera.

A autora e D. Lourenço de Almada, 6º conde de Almada

     Lembro, a propósito, o poeta Mário Beirão ao publicar, em 1917, O Regresso, de que destacamos estes versos : «O Povo acorda: e acordado, / Abraça em sua saudade, / A manhã de claridade / Desse dia desejado!». Recordo ainda uma peça de Natália Correia que titulou O Encoberto e foi publicado em 1969. Nessa peça, descobrimos uma esperança messiânica ou sebastianista para afirmar a liberdade face ao estrangeiro. A personagem Bonami-Rei, representando D. Sebastião, dirá: «Malditos os que sob a aparência do humilhado não conhecem a grandeza do Rei!(…) Fui todos os vagabundos. Todos os canalhas. Todos os famintos. Todos os ofendidos. Agora posso ser todos. Agora posso ser rei». E até já na era futura dos visitantes do Espaço, ainda, todos cravando os olhos no céu dirão: «É ele, o Rei que sempre volta quando o mundo tem o rosto de uma hiena». E uma personagem insiste: «Por ele enfrentaremos os grandes homens do momento». E depois, todos exclamam: «Que apodreçam os olhos que não aguentam este esplendor da liberdade!».
     Também no drama Erros Meus. Má Fortuna. Amor Ardente (1981), Natália Correia proclamará, mais uma vez, e através da personagem designada 2ª Mulher do povo: «Possa a nossa dor ressuscitar o Rei para que ele perpetue o nosso antigo sangue».

S.A.R. Dom Duarte, Duque de Bragança, a usar da palavra
como Presidente da sessão, no Sala Nobre da S.H.I.P.

     Que esta pequena monografia que titulei A Restauração da Independência de 1640 e D. Antão de Almada possa augurar ao Senhor D. Duarte, Duque de Bragança, num futuro breve, a restauração da Monarquia, pela qual o Povo de Portugal continua a esperar, não pelos meios violentos e envoltos em sangue, usados para a implantação da República, mas pelo processo democrático da eleição por sufrágio universal, através do meio constitucional em vigor, e que é a eleição para a Chefia do Estado.

Teresa Ferrer Passos
                                                                 
                                                 







* Este texto foi lido pela autora, no dia 21 de Maio de 1999, no Palácio da Independência, em Lisboa, por ocasião do lançamento do livro A Restauração de 1640 e D. Antão de Almada (Universitária Editora, 1999). A sessão foi presidida por SAR Dom Duarte, Duque de Bragança e a Apresentação do livro esteve a cargo do Poeta António Manuel Couto Viana.

domingo, 26 de novembro de 2017

A Restauração da INDEPENDÊNCIA em 1 de Dezembro de 1640


A RESTAURAÇÃO E O IMPÉRIO*

D.João IV - azulejo no Palácio Galveias, Lisboa

   O movimento restaurador da independência nacional levado a cabo com pleno êxito na manhã de 1 de Dezembro de 1640, não constitui exclusivamente um momento de exaltação patriótica contrário à usurpação da Coroa portuguesa pela castelhana. É um facto que, após o malogro das intervenções aguerridas de D. António, Prior do Crato, os portugueses aceitaram a situação político-institucional a que tinham chegado por negligência, por inércia ou por abdicação. Contudo, à medida que os anos decorriam, a submissão ao país vizinho começou a ter largos custos porque as potências inimigas de Castela atacavam o nosso disperso e vasto Império ultramarino.

   Os ataques aos nossos galeões quando estes se deslocavam da Índia para Lisboa, os assaltos às fortalezas onde permanecíamos desde o dealbar do séc. XVI, no Brasil e no Oriente, reduziram para um terço o tráfico com Lisboa, porquanto as especiarias, o ouro e muitos outros produtos dessa rota, eram transportados pelas bem apetrechadas embarcações inglesas, holandesas e francesas. O decréscimo das receitas oriundas do Brasil, de Angola, da Guiné ou de Goa atingiam os interesses da Coroa, da nobreza, da burguesia comercial, do clero nacionais, Os escravos, o açúcar, o tabaco já não constituíam as grandes fontes de riqueza detidas até aos primeiros anos do séc. XVII.

   Entre 1620 e 1630, a situação agravou-se com as perseguições movidas pelos espanhóis e pela Inquisição contra os portugueses estabelecidos no México e no Perú. Com o pretexto de prática de judaísmo, a comunidade portuguesa no Perú foi praticamente dizimada no ano de 1635.

   A investida contra as zonas dominadas por Portugal repercutia-se na situação económica nacional. Sem produzir os bens de consumo indispensáveis, não chegando ao reino as matérias-primas com que se saldariam as contas contraídas com o exterior, o país era sobrecarregado por impostos exorbitantes. Sem uma frota eficiente, com os soldados dispersos pelas frentes de combate de maior interesse para Castela, não auferindo os grupos sociais empenhados nas rendosas tarefas comerciais-marítimas, os lucros provenientes das suas actividades atlânticas e no Índico, gerou-se uma ambiência de descontentamento, a que não foram alheias as categorias populares gravosamente atingidas pelo declínio do seu poder de compra e pelas provocantes arbitrariedades governativas de Castela.

   A crise financeira, eclodindo a partir da década de 1620, era simultânea à derrocada da presença portuguesa no Oriente, em África, no Brasil: em 1622, Ormuz foi tomada pelos persas; Goa foi bloqueada por uma força anglo-holandesa, em 1623; o rei de Achém atacou, em 1629, Malaca. O próprio comércio com o Japão foi cerceado. Entre 1637 e 1638, os entrepostos africanos de S. Jorge da Mina e Arguim foram assaltados pelos holandeses, que no Brasil tinham já tomado as cidades de Olinda e Recife, no ano de 1630.

   O desmoronamento dos domínios além-mar reflectia-se na vida de todos os portugueses sem excepção. Intérpretes do sentimento de frustração que a Nação vivenciava, um grupo de nobres e letrados desencadeou, sob a chefia do Duque D. João de Bragança, a insurreição que iria dar a Portugal a dignidade perdida após a fatídica aventura de Alcácer-Quibir.


Teresa Bernardino**




* Publicado no jornal Consciência Nacional, Março de 1986.

** Heterónimo de Teresa Ferrer Passos.

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

1º Dia Mundial dos Pobres

Homilia do Papa Francisco (excertos)
no Dia 19 de Novembro de 2017

Depois da Missa, 1500 pobres e necessitados almoçaram na Sala Paulo VI,
no Vaticano, com o Papa Francisco

«Quando queremos oferecer algo ao Senhor, os seus gostos encontramo-los no Evangelho».
(…)
«No pobre, Jesus bate à porta do nosso coração e, sedento, pede-nos amor. Quando vencemos a indiferença e, em nome de Jesus, nos gastamos pelos seus irmãos mais pequeninos, somos seus amigos bons e fiéis, com quem Ele gosta de Se demorar»
(…)
«Nos pobres manifesta-se a presença de Jesus, que, sendo rico, se fez pobre»
(…)
«Por isso neles, na sua fragilidade, há uma “força salvífica”. E, se aos olhos do mundo têm pouco valor, são eles que nos abrem o caminho para o Céu, são o nosso “passaporte para o paraíso”. Para nós, é um dever evangélico cuidar deles, que são a nossa verdadeira riqueza; e fazê-lo não só dando pão, mas também repartindo com eles o pão da Palavra, do qual são os destinatários mais naturais. Amar o pobre significa lutar contra todas as pobrezas, espirituais e materiais.»
(…)
«E isso nos fará bem: aproximar-nos de quem é mais pobre do que nós, tocará a nossa vida. Lembrar-nos-á aquilo que conta verdadeiramente: amar a Deus e ao próximo. Só isto dura para sempre, tudo o resto passa; por isso, o que investimos em amor permanece, o resto desaparece.
Hoje podemos perguntar-nos: “Para mim, o que conta na vida? Onde invisto”? Na riqueza que passa, da qual o mundo nunca se sacia, ou na riqueza de Deus, que dá a vida eterna? Diante de nós, está esta escolha: viver para ter na terra ou dar para ganhar o Céu. Com efeito, para o Céu, não vale o que se tem, mas o que se dá, e “quem amontoa para si não é rico em relação a Deus”. Então não busquemos o supérfluo para nós, mas o bem para os outros, e nada de precioso nos faltará»

Papa Francisco 

domingo, 19 de novembro de 2017

A propósito do Dia Mundial dos Pobres


A propósito do DIA MUNDIAL DOS POBRES, o Papa Francisco, hoje mesmo, disse na sua homilia:

“Por isso neles, na sua fragilidade, há uma ‘força salvífica’. E, se aos olhos do mundo têm pouco valor, são eles que nos abrem o caminho para o Céu, são o nosso ‘passaporte para o paraíso’. Para nós, é um dever evangélico cuidar deles, que são a nossa verdadeira riqueza; e fazê-lo não só dando pão, mas também repartindo com eles o pão da Palavra, do qual são os destinatários mais naturais. Amar o pobre significa lutar contra todas as pobrezas, espirituais e materiais.”

E neste Dia Mundial dos Pobres, lembramos Madre Maria Isabel, fundadora da Congregação das Irmãs Concepcionistas ao Serviço dos Pobres, com o artigo "Uma Mulher de Mãos Escancaradas" que escrevemos, em 28 de Dezembro de 2009, e que foi publicado no jornalinho "Seara dos Pobres" desta Congregação:

O desenho do branco desenha-se na larga e seca planície. A forma das pequenas casinhas caiadas confunde-se com a claridade branca do Sol. No Monte do Torrão, aldeia de Santa Eulália (a poucos quilómetros de Elvas), onde nasceu, em 1889, Maria Isabel recebera as palavras do Evangelho desde a infância. Uma fascinação pelas artes toca o coração de Maria Isabel. Com uma cuidada educação dada por seus pais, inscreve-se na Escola de Belas-Artes de Lisboa. Mas a arte de amar é mais forte. Regressa ao seu solitário Alentejo. Em 1912, tem vinte e três anos. É, então, que contrai matrimónio com João Pires Picão, seu primo. Vão viver para S. Domingos, também a pouca distância de Elvas. O amor ao esposo é agora a sua meta e o seu contentamento.

Generosa, tudo dá de si porque dar é a sua vocação maior. Os anos passam na serenidade das soalheiras e das sombras macias dos sobreiros. Sem filhos, dedica-se inteiramente ao marido que, entretanto, adoece, sem sinais de recuperação. Com extremoso amor, Maria Isabel oferece-lhe o melhor de si. O agravamento do seu estado de saúde, debilita-a. Quer parecer forte ao olhos do esposo.

O cansaço abate-a, mas não a faz desistir de lutar. De têmpera combativa, procura o auxílio da oração. Suporta a cruz com abnegação. Mas o esposo sucumbe. A sua morte aparece-lhe como um fim inevitável. Na hora do seu falecimento fica paralisada, não sabe que sentido tem a sua vida sem aquele amparo que durara dez anos, sem ter recebido a dádiva de um filho. Sente a solidão na sua alma generosa, pronta para servir. Tem trinta e três anos. Corria o ano de 1922. Inconformada com o falecimento do esposo ainda tão jovem, ao longo de onze anos dá apoio à Igreja de Santa Eulália. Em 1934 entra nas Dominicanas de Clausura de Azurara, mas a falta de saúde leva-a a regressar à terra natal. Pouco tempo depois, em 1936, a Casa de Retiros em Elvas é-lhe entregue pelo arcebispo de Évora. A partir da atribuição desta responsabilidade, Maria Isabel vai doando generosos bens a essa obra. 

A guerra civil espanhola prolongava-se pelo ano de 1939. Em Espanha, as Ordens Religiosas eram perseguidas pelas forças comunistas. As Irmãs Concepcionistas de Clausura de Santa Beatriz da Silva refugiam-se na zona de Santa Eulália. Tomando conhecimento da sua situação, logo Maria Isabel oferece as suas casas para as acolher. Dialogando longamente com as Irmãs daquela Ordem sente que a vontade do Pai devia ser o grande guia das acções humanas porque «só devemos querer uma coisa: que se cumpra em nós a sua santíssima vontade».

Pela primeira vez desde a morte do marido, sente-se fortemente ligada a uma comunidade monástica. Presta toda a atenção às palavras sábias das Irmãs de Santa Beatriz da Silva. Escuta os seus pontos de vista sobre a Ordem a que pertencem, sobre os seus objectivos. Sabe que a Imaculada Conceição é um alento maravilhoso para o culto divino. As palavras das Irmãs espanholas da Imaculada Conceição de Santa Beatriz mostram a Maria Isabel que a Ordem podia ser mais activa, mais dinâmica se tivesse a dimensão humana de auxiliar os pobres, os mais desamparados na sociedade.

Na verdade, a Ordem de Santa Beatriz era de cariz contemplativo. Juntar à oração a acção, a prática do auxílio material, seria alargar a construção da Casa do Espírito Santo. Os pobres precisavam, nestas paragens alentejanas, de bem mais assistência. A seara de Jesus exigia esse serviço. «Ninguém nos pode tirar Deus dos nossos corações; e com Deus nunca seremos pobres nem abandonados» escreveria Maria Isabel.

A vida de Maria Isabel orientava-se, agora, no sentido da dádiva dos seus bens aos pobres desse Alentejo solitário e pouco afortunado. Por que não fundar uma Ordem que unisse o espírito contemplativo ao da acção? «É certo que nada vales, mas comigo, tudo vencerás», eis as palavras que escutava bem dentro do seu coração. Unido a ela, Jesus dava-lhe a esperança de conseguir lançar uma nova Ordem. A cada instante, sentia Jesus incutindo-lhe perseverança apesar das dificuldades a vencer.

Agora sentia-se uma mulher capaz de renascer se fosse possível lançar os fundamentos de uma Ordem de Nossa Senhora da Conceição ao Serviço dos Pobres, tudo conforme o espírito de S. Francisco de Assis. As dificuldades não se fizeram esperar. Mas, «o sacrifício dará fruto a seu tempo», pensa Maria Isabel nas horas de desalento.

Uma excepcional força anímica vivia ainda em Maria Isabel para não vacilar ante os obstáculos. Acredita, com firmeza: «A oração dispõe-nos para a Graça»*. Em 1939, a Congregação das Irmãs Concepcionistas ao Serviço dos Pobres estava já a erguer-se. Construção lenta, mas fundada na esperança que não se deixa vergar pelos tempos nefastos. De facto, só a 5 de Julho de 1955, o Papa Pio XII aprovava a fundação do novo instituto religioso. É nesse mesmo ano que Madre Isabel faz a sua Profissão Perpétua.

Vencendo quem se opunha aos seus desígnios, a Madre Maria Isabel da Santíssima Trindade, assim rebaptizada na religiosa senda, realizava o último e grande sonho da sua vida: entregar aos pobres todos os seus bens e com esses bens formar uma Congregação para os servir. Ao criar a Congregação das Concepcionistas ao Serviço dos Pobres, as suas riquezas multiplicavam-se, todo o património de que era detentora foi entregue à nova comunidade religiosa. Os bens doados foram a terra fértil para concretizar o sonho de Maria Isabel: servir o Pai mesmo para além da planície larga desse Alentejo em que nascera.

Ao Serviço dos Pobres nada se perde, tudo é restaurado e dá fruto até ao fim dos tempos. Sete anos após a aprovação papal, Madre Maria Isabel da Santíssima Trindade terminava a sua obra nessas terras de trigais a perder de vista. A morte punha fim aos seus incansáveis trabalhos, a favor dos mais abandonados, no ano de 1962. Em 1998, foi pedida a sua beatificação.

As orações daqueles que nela esperaram auxílio, na doença ou na pobreza, têm sido escutadas. No reino do Espírito Santo terá continuado a velar pelos mais desprotegidos. A beatitude revelara-a já em vida. Revestida de beatitude continuará no céu, nesse céu donde Jesus lhe sussurrava a Sua Vontade. E que era, afinal, a maior ambição de Madre Maria Isabel da Santíssima Trindade: ajudar os pobres. Como ela soube pôr em prática aquilo que Jesus dissera ao homem rico: «vai, vende tudo o que tens, dá o dinheiro aos pobres e terás um tesouro no Céu» (Mc 10, 21). Como ela terá meditado nas Bem-Aventuranças do Sermão da Montanha, das quais lembramos apenas uma das que mais a terá sensibilizado: «Bem-aventurados os mansos porque possuirão a terra» (Mt 5, 5). 

28 de Dezembro de 2009

Teresa Ferrer Passos

* Todas as citações foram retiradas da Novena à Serva de Deus Madre Maria Isabel da Santíssima Trindade, Évora, 2008. 

domingo, 12 de novembro de 2017

Memória da Irmã Isaura Ventura



Irmã Isaura Ventura com Teresa Ferrer Passos, junto à  igreja
do Convento de Vairão 

«Ó Senhora minha, ó minha Mãe, eu me ofereço todo a Vós, e, em prova da minha devoção para convosco, Vos consagro, neste dia e para sempre, os meus olhos, os meus ouvidos, a minha boca, o meu coração e inteiramente todo o meu ser»


Na morte da Irmã Isaura Ventura da Congregação das Irmãs Reparadoras das Dores de Nossa Senhora, no dia 4 de Novembro, o início da oração de Consagração a Nossa Senhora é bem o modelo que ela serviu na vida e na longa doença que a enfraquecia física e mentalmente, dia a dia, até à paralisação numa cama, durante muito tempo. A paciência e a paz não se distinguiam nela. O sorriso, a mão que aperta a minha mão, quando a visito, em Fátima, já a doença ia avançada.

A causa das Aparições e das suas relações com o Cónego Formigão, fundador da sua Ordem, foi uma das suas batalhas mais encarniçadas enquanto a saúde a habitou. A revista Stella que dirigiu com grande saber e devoção, ao longo de vários anos, foi outra das suas batalhas, assim com o Almanaque de Nossa Senhora de Fátima publicado pela sua Congregação.

Porém, mais do que tudo isso, a Irmã Isaura constituiu, na minha experiência de encontro com ela, uma luz sempre acesa para me amparar nas horas difíceis, com uma voz preocupada na distância, essa distância a que sempre nos encontrámos, mas que com palavras breves, quase diariamente sussurradas (ao telefone ou em cartinhas chegadas pelo correio), eram uma presença fraterna, pronta.

À palavra de conforto, juntava-se a da oração, que nunca se cansava de dirigir a Jesus e a Sua Mãe Santíssima. A Irmã Isaura Ventura esteve presente durante muitos anos na minha vida como uma presença verdadeira, semelhante a uma mãe que vela, longe, mas com muito amor. Agora, lá, noutro além de nós, mais perto ainda de Deus, as suas preces não deixarão de ecoar no meu coração e naqueles que, como eu, a conheceram.

12 de Novembro de 2017

Teresa Ferrer Passos

domingo, 5 de novembro de 2017

Recordando o 5 de Novembro de 1993...


AMOR SEM PAR

Chamo-te mistério: surgiste do nada
Como ideia pura da filosofia;
Abriste uma porta que estava fechada
Que eu já não supunha que alguém abriria.

Mas graças a Deus és de carne e osso,
És muito mais firme que uma ideia etérea,
E assim me salvaste daquele alvoroço
Que era atravessar sem rumo a Matéria.

Mas o teu mistério, mesmo que concreto,
É tão insondável como os mais sublimes,
Mulher enviada por um Deus secreto,
Mulher que me guias e que me redimes…

5/11/2017 (24 anos depois do dia do noivado)

Fernando Henrique de Passos



O CAMINHO OU PARA O AMOR

Entre as rochas escarpadas, agrestes,
construímos os traços largos do amor.
Com os corações desfeitos pela espuma
do tempo acabado, como se fossemos
titãs das águas impossíveis, 
sorrimos e em frente caminhámos.
Avançámos sem olhar os ponteiros do relógio,
porque esse tempo não era o verdadeiro!

5 de Novembro de 2017
Teresa Ferrer Passos

domingo, 29 de outubro de 2017

Seiva de um grande amor


na outonal videira de tanto fruto,
olhei uma folha amarelecida
e sem saber o que era o tempo.

Toquei-a devagar, com um suspiro eterno. 
E encontrei-te aí, envolto em espanto.
Entrei nas suas linhas. Estavam cheias
das tuas entrelinhas. Sem palavras,

aí, vi-te, surpreso, à espera. À espera
de uma nova linha, mesmo secreta. 
Mas a derramar a seiva de um grande amor.

29 de Outubro de 2017
Teresa Ferrer Passos





NO JARDIM DO AMOR

No Jardim do Amor
Há árvores muito altas
De troncos verticais,
Há águias de olhar firme
Voando sobre as nuvens,
Rochedos milenares
Crivados de cristais,
Exóticas papoilas
De cores nunca sonhadas,
Nascentes sulfurosas
Com água incandescente,
E feras agilíssimas
Escondidas na folhagem…

Mas num recanto calmo
Ao pé da calma fonte
Da qual só jorra mel
Namoram dois ratinhos,
Eternos namorados
Eternamente presos
Nos laços da ternura.


28/10/2017
Fernando Henrique de Passos

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

A Bíblia, o Antigo Testamento judaico e o Novo Testamento Cristão



Acerca da Bíblia, do adultério e da violência sobre a mulher ou o acórdão de um juiz do Tribunal do Porto (resposta a comentários de Pedro Mesquita Fernandes, num post de Miguel Castelo Branco in Facebook em 24/25 de Outubro de 2017:
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- Na verdade, Pedro Mesquita Fernandes, "qualquer católico pode e deve defender abertamente a sua religião num Estado laico", só que o senhor Juiz pareceu desconhecer a passagem da Bíblia inscrita no Livro do Novo Testamento (Jo 8, 3 e seg.) que diz:«"Mestre, esta mulher foi apanhada, no próprio acto, adulterando. E na lei nos mandou Moisés que as tais sejam apedrejadas. Tu pois que dizes?" Isto diziam eles, tentando-o, para que tivessem de que o acusar. Mas Jesus, inclinando-se, escrevia com o dedo na terra. E, como insistissem, perguntando-lhe, endireitou-se, e disse-lhes: "Aquele que de entre vós está sem pecado seja o primeiro que atire pedra contra ela". E, tornando a inclinar-se, escrevia na terra. Quando ouviram isto, saíram um a um, a começar pelos mais velhos até aos últimos; ficou só Jesus e a mulher que estava no meio. E, endireitando-se Jesus, e não vendo ninguém mais do que a mulher, disse-lhe: "Mulher, onde estão aqueles teus acusadores? Ninguém te condenou? E ela disse: Ninguém, Senhor". E disse-lhe Jesus: "Nem eu também te condeno: vai-te, e não peques mais".». Jesus não condena. Porém, aconselha o arrependimento que converte a pessoa noutra pessoa: "não voltes a pecar". Em relação às leis do Antigo Testamento, estas foram substituídas pela Nova Aliança que Jesus Cristo instituiu entre Deus e a humanidade.

- Teresa Ferrer "a verdade é que se pôs a jeito, até porque toda a gente sabe que a citar-se a Bíblia convém citar o Novo Testamento que sempre é mais levezinho..."
Eu diria que o Deus da Bíblia sofre de bipolaridade, mais parecendo que o do Velho Testamento não é o mesmo do Novo Testamento. E porquê? Porque o primeiro é cruel e vingativo, tendo uma imagem bastante negativa da mulher. A lógica do meu comentário foi essa...
- Pedro Mesquita Fernandes, o Deus do Velho Testamento tem muito a ver com as leis do povo judeu que não separou nunca a lei civil da lei religiosa. As leis judaicas são imbuídas de sacralidade para as tornar mais credíveis aos olhos do Povo judaico. Acontece que os judeus não aceitaram Jesus Cristo porque era um Deus-Chefe do Estado que eles esperavam. Como não era esse Deus que esperavam e desejavam foi condenado à morte como blasfemo (fazia-se passar por Deus, mas não acreditaram que fosse). Assim, os cristãos não aceitam o Deus do Antigo Testamento (um Deus-político), mas aquele que veio fazer uma Aliança Nova e esta não só com o povo judaico (como este julgava), mas com toda a Humanidade.
Teresa Ferrer Passos

sábado, 21 de outubro de 2017

A propósito dos grandes incêndios a norte do Tejo em 14 e 15 de Outubro

«É precisa a DEVOÇÃO A MARIA SANTÍSSIMA para estabelecer mais perfeitamente a DEVOÇÃO A JESUS CRISTO» escreveu S. Luis Maria de Montfort


Que a graça da Santíssima Virgem Maria, nossa Mãe, na Sua união com Jesus, encha da misericórdia do Céu aqueles que perderam a vida ante as chamas inclementes dos terríveis incêndios, abandonados pela Protecção Civil do Estado.

Que a graça de MARIA cumule de esperança aqueles que sobrevivem nos hospitais e na dor das cinzas.

Que a graça de MARIA sustente a paz daqueles que perderam as suas casas, os seus animais e as suas hortas, e também dos que viram evolar-se em fumo as oficinas onde ganhavam o pão.

Que, depois de ter sido visto o inferno na nossa terra, não voltemos a vê-lo cair nas nossas aldeias e vilas com tanta dor, subitamente!

21 de Outubro de 2017
Teresa Ferrer Passos

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Um Poema de...

Castelo de Guimarães - Aqui nasceu Portugal, em 1128
(campos de S. Mamede)

Mensagem ou menagem a D. Duarte Pio

(avoco, para a Musa minha, o Arcano do Sol)
(Poesia é preste, o tempo urge. Com a Casa Real Portuguesa,
reaportuguesemos Portugal………..)



Ancorado e escorado em D. Dinis,
Em São João de Deus, em São Miguel,
Eu louvo o amorável Amadis:
São a lis, são as rosas de Isabel.

Manda Amor, diz Maria, se ela diz
Que a Lira é consentânea, e é fiel,
Eu vejo, em menestrel, o meu País:
Um só Rei, um só gabo e Gabriel.

Tão cedo passa tudo quando parte,
Mas o Sol de Bragança é meu prior.
A Musa é d’ aliança, e quanta Arte!!!

Que de mel no Menino Imperador!!!
Aqui eis a Beleza em baluarte,
- E eis, em D. Duarte, o meu Senhor.

Que Luz, 22/ 07/ 2017

Ad Majorem Dei Gloriam

                           Paulo Jorge Brito e Abreu

domingo, 15 de outubro de 2017

Adriano Moreira recebe Grã Cruz da Ordem do Infante D.Henrique

Adriano Moreira a acabar de ser condecorado
pelo senhor Presidente da República

O Professor Adriano Moreira acaba de receber a Grã Cruz da Ordem do Infante D. Henrique. Na cerimónia, afirmou o senhor Presidente da República: «Porque este é o momento e este é o lugar, entendo dever reparar uma pequena grande omissão histórica do Estado face a Adriano Moreira, a quem tanto os admiradores como os que nem sempre concordaram com o seu percurso" iniciado no Estado Novo reconhecem de facto que se trata de um percurso excecional no quadro da nossa vivência nacional e isso é irrebatível, é indiscutível». Um ato de justiça, sem dúvida! A homenagem merecida há muito pela sua grande dignidade moral, acrescento eu.
T.F.P.

sábado, 14 de outubro de 2017

No encerramento do 1º Centenário das Aparições de Fátima (1917-2017)


Imagem de Nossa Senhora e de Jesus ressuscitado em Fátima

«Aqui voltamos, com o terço na mão, o nome de Maria nos lábios e o canto da misericórdia de Deus no coração».

«O Papa Francisco repetiu aqui duas vezes: "Temos Mãe"! Eu permito-me acrescentar: sim, temos mãe de ternura e de misericórdia, solícita e defensora dos pobres, dos que sofrem, dos humildes e humilhados, dos oprimidos, dos sós, dos abandonados e descartados pela cultura da indiferença, de quem diz: que me importa o outro? Cada um que se arranje».

(Da Homilia do Bispo de Leiria-Fátima, D. António Marto, a 13 de Outubro de 2017, no encerramento do 1º Centenário das Aparições de Maria Santíssima na Cova de Iria, Fátima)

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Deus quer estabelecer no mundo a Devoção a Maria Santíssima



«Se eu pudesse meter no coração de toda a gente o lume que tenho cá dentro no peito a queimar-me e a fazer-me gostar tanto do Coração de Jesus e do Coração de Maria!»
Palavras de Jacinta (Santa) a Lúcia (pouco antes de ir para o Hospital Rainha Estefânia, em Lisboa)


Consagração a Nossa Senhora 

«Ó Senhora minha, ó minha Mãe, eu me ofereço todo a Vós, e, em prova da minha devoção para convosco, Vos consagro, neste dia e para sempre, os meus olhos, os meus ouvidos, a minha boca, o meu coração e inteiramente todo o meu ser; e porque assim sou todo vosso, ó incomparável Mãe, guardai-me e defendei-me como coisa e propriedade vossa. Lembrai-vos que Vos pertenço, terna Mãe, Senhora nossa. Ah! Guardai-me e defendei-me como coisa própria vossa.»

(Oração, sem data, feita por um menino de dez anos, pouco depois da morte de sua mãe)

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

No 1º Centenário das Aparições de Maria em Fátima



"O MEU CORAÇÃO IMACULADO TRIUNFARÁ"

«O coração cheio de Deus é mais forte. Desde que Deus assumiu um coração de homem, desde então, a liberdade do homem volta-se para o bem, para Deus, e a liberdade para o mal não tem mais a última palavra»

Angelo Comastri (Cardeal), «L'Ange m'a dit. Autobiographie de Marie», 2010, p. 134 (1ª ed. 2007).

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

A mensagem de Fátima


"EU VENHO DO CÉU"

«Toda a mensagem de Fátima está aqui: Convertei-vos! Tornem-se discípulos verdadeiros! Sêde cristãos autênticos! Segui Jesus!»

Angelo Comastri (Cardeal), «L'Ange m'a dit. Autobiographie de Marie», 2010, p.131 (1ª edição, 2007).

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

A propósito de 13 de Outubro de 1917: o milagre do Sol em Fátima



«"A GLÓRIA DE MARIA SERÁ PLENA NA GLÓRIA DE CRISTO" (I Cor 15, 20-28)
Neste cume de glória, Maria, desde sempre preservada do pecado, é vestida da luz do triunfo de Jesus; ela será admirada pelo universo porque, através dela, a salvação teve início no mundo, e nela resplandecerá a plenitude da glória de toda a Igreja. Ela é a mulher vestida de Sol, vestida do esplendor de Deus»

Do livro "Minha Alegria Esteja Em Vós" do Bispo Karl Joseph Romer, 2013 (in Internet)

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Catalunha: Uma luta multi-secular pela independência



SALVADOR DALI, «A Persistência da Memória» (Barcelona, 1931)
- A paisagem representa  os penhascos e o mar perto da casa de Dalí, em Barcelona.
O pintor ilumina-os com uma luz transparente e serena.

No dia 1 de Outubro, a resposta de Rajoy foi excessiva ao chamar a policia de choque para reagir à desobediência de milhares de catalães (quase 900 feridos) - um referendo para votarem com vista à independência política da Catalunha. Não nos podemos esquecer que o condado da Catalunha (séc. IX), dirigido então pelo conde de Barcelona Raimundo, não tem uma história muito diferente da história do condado portucalense (séc. XI-XII), mais tardio, portanto. A história da luta do condado de Barcelona pela autonomia é multi-secular e bem mais antiga do que a própria luta do conde D. Henrique (o herdeiro do condado portucalense) e de D. Afonso Henriques.

A vitória de Afonso Henriques sobre sua mãe, D. Teresa e o seu partidário, conde de Trava (favoráveis à subordinação dos portucalenses à Galiza) na batalha de S. Mamede (Guimarães), em 1128, marcou o dia da primeira tarde portuguesa, como sublinhou o historiador Damião Peres. No ano de 1139 (ou 1140), já Afonso Henriques usava o título de rei de Portugal. E, em 1143, é reconhecido com esse título por Afonso VII de Castela (de quem era vassalo).

Agora, o sentimento patriótico do povo catalão mostra que, sendo muito antigo, continua vivo (apesar da passagem de séculos, com altos e baixos autonómicos) entre tantos reveses da história. Nesta conformidade, o governo central de Espanha não deveria esquecer esse perfil histórico da região catalã. Deveria sujeitar-se à decisão, nas assembleias de voto, do povo catalão. Deveria ouvir, democraticamente, a vontade popular. Não o quis, desbaratando as caixas com os boletins de voto, poucos dias antes da data para a votação, em 1 de Outubro. Não o quis, ao usar a força policial contra aqueles que queriam exercer o direito de votar pró ou contra a independência. Como nos ensina a história, não se brinca com a vontade independentista dos povos. Rara tem sido, a vitória final daqueles que a querem impedir.

Lembramos que foi, em 1640, que as rebeliões catalãs deram a Portugal uma excelente oportunidade para repudiar a dominação espanhola não desejada pelos Portugueses (domínio filipino de 1580 a 1640). Nesses anos subsequentes a 1640, o apoio do rei inglês (e de outros reis da Europa) acabaria por reconhecer a auto-proclamada independência de Portugal, não aceite por Filipe IV. A Espanha manteve a guerra contra Portugal até 1668, durante quase 30 anos. A nossa independência já fora posta em grande perigo na crise dinástica de 1383-1385, em que se notabilizaram D. João, Mestre de Avis (D. João I) e D. Nuno Álvares Pereira, pela acesa e guerreira luta para a restaurar.

4 de Outubro de 2017
Teresa Ferrer Passos

Nota: Parte deste texto foi publicado como comentário na postagem de Miguel Castelo Branco (Facebook) em 3 de Outubro de 2017