segunda-feira, 23 de abril de 2018

Primavera pascal

De mudança em mudança... 

( convoco, para a Musa minha, o 10 de Copas Arcano)
de todo o coração, ao Filipe de Fiúza

Só da Luz, quero a Luz e muita Luz.
Que ela é Pão, que ela é prémio prò dolente,
Ela é Nova, ela é noiva, eu digo sus!!!
Coragem para o pobre e o doente.

Só da Luz. Só d’ Amor, em farta Vinha,
O Sol agora vem, e é bem-vindo…
Ai cânticos e frol duma andorinha!!!
O dia é Primavera, eu digo lindo!!!

Só da Luz, minha leda, e só do Vate.
Vem d’ amora, de poma, e vem de véu,
Vem comigo, a lidar o bom combate:
Eu n’ asa dos teus olhos, vejo o Céu.

Paulo Jorge Brito e Abreu*

* Este poema foi-nos enviado pelo autor.

Nota:

Chamo a atenção para o verso «Eu n' asa dos teus sonhos, vejo o Céu»,

que considero um dos mais belos da poesia contemporânea.

24 de Abril de 2018                                     Teresa Ferrer Passos 

terça-feira, 10 de abril de 2018

1ª Centenário da Batalha de La Lys na 1ª Guerra Mundial (1914-1918)

Recortámos um testemunho do capitão Vicente Silva (Batalhão de Infantaria 9 de Viana do Castelo), combatente na Batalha de La Lys, travada em 9 de Abril de 1918:
«Segundo o plano estratégico, os alemães ocuparam toda a frente que vai de Ypres, na Bélgica, flanco direito das tropas atacantes, até La Bassée, numa extensão aproximadamente de 40 quilómetros. A batalha desenvolveu-se, pois, nos dois flancos do rio Lys (...) Quaisquer que fossem as tropas que guarnecessem o sector português, o resultado seria o mesmo. Seriam quatro horas da manhã. (...) Tinha chegado o dia da tão receada ofensiva alemã. (...)». O Capitão Vicente Silva, tendo sido feito prisioneiro, escrevia, mais adiante: «(...) O que tem sido o meu estado físico e moral desde 1918 até ao momento actual (1940) ninguém o pode compreender (...) No desespero da minha doença, muitas vezes lamentei não ter ficado para sempre sepultado nas ridentes planícies da Flandres...»
Capitão Vicente José da Silva, A Guerra de 14 - Memórias de um Combatente, 1991, pp.72-73 e 77-78.


Na fotografia, vemos um grupo de oficiais de Viana do Castelo no campo de prisioneiros de Bresen. O capitão Vicente está na 2ª fila, sendo o 5º a contar da esquerda.




Comentários deste post no Facebook:

O capitão Vicente José da Silva (1886-1966) é avô paterno de Fernando Henrique de Passos (Silva) e pai de Fernando de Paços (Passos Silva).
Teresa Ferrer Passos

O meu avô paterno era de um temperamento artístico e espiritual e um amante da paz. A sua passagem pela guerra de 1914-1918 provocou-lhe traumas profundos que arruinaram o resto da sua vida. A ruína não foi total, no entanto, pois teve um casamento muito feliz.

A ciência genética diz que os carateres adquiridos não se transmitem, mas eu ainda sinto sombras do meu avô a agitarem-se dentro de mim.

O meu avô materno era o oposto: só se sentia bem na guerra. Quando rebentou a Guerra Civil Espanhola, queria oferecer-se como voluntário mas a saúde não lho permitiu.

É engraçado como nos tornamos uma mistura de todas estas pessoas que nos antecederam. Ter consciência disso pode ajudar a combater excessos de individualismo.


Fernando Henrique de Passos
 (neto do Capitão Vicente José da Silva, feito prisioneiro na batalha de La Lys, em 9 de Abril de 1918)




segunda-feira, 9 de abril de 2018

A luz forte de Maria Santíssima

Maria com seus pais, S. Joaquim e Santa Ana


«No dia de Nossa Senhora da Natividade tenho uma grande alegria. Quando este dia veio, pareceu-me ser bom renovar os votos. Foi então que se me tornou presente a Virgem Nossa Senhora, por visão luminosa, e pareceu-me que os renovava nas Suas mãos e que isso Lhe era agradável. Mantive esta visão, por alguns dias»

Santa Teresa de Jesus, «Relaciones Espirituales», cap. LVIII, Obras CompletasEditorial Plenitud, Madrid, 1958, p.355.


A visão luminosa da Virgem Nossa Senhora alcançada pela grande mística Teresa de Jesus, identifica-se com a luz fortíssima, mais forte que o Sol, irradiada por Maria nas seis Aparições a Lúcia e seus primos, Jacinta e Francisco, em Fátima, no ano de 1917.

9 de Abril de 2018
Teresa Ferrer Passos

quarta-feira, 21 de março de 2018

Páscoa / 2018

Entrada triunfal de Jesus em Jerusalém

                                                
«Ouvindo a grande multidão, que viera à Festa, que Jesus ia chegar a Jerusalém, tomou ramos de palmeira e saiu ao seu encontro, clamando: "Hossana! Bendito seja Aquele que vem em nome do Senhor, O Rei de Israel!"»
                          Jo 12, 12-13



«(...) Perante todas estas vozes que gritam, o melhor antídoto é olhar a cruz de Cristo e deixar-se interpelar pelo seu último grito. Cristo morreu, gritando o seu amor por cada um de nós: por jovens e idosos, santos e pecadores, amor pelos do seu tempo e pelos do nosso tempo.»

Da Homilia do Papa Francisco no Domingo de Ramos (24/3/2018)


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«Estando já próximo da descida do monte das Oliveiras, começou a multidão dos discípulos a louvar alegremente a Deus, em alta voz, por todos os milagres que tinham visto, dizendo: "Bendito seja o Rei que vem em nome do Senhor!". 
Alguns fariseus disseram-Lhe, do meio da multidão:"Mestre, repreende os teus discípulos".
Jesus retorquiu:
"Digo-vos que, se eles se calarem, gritarão as pedras"»
Lc 19, 37-40


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A morte de Jesus, rei dos judeus, na cruz 
                
NA CRUZ, PARA SEMPRE?

Jesus pendurado na cruz
há dois mil anos. Vejo-o com a paz
num corpo imóvel.
Morto. E morto, continua ali,
abandonado, de olhar sem luz.
Ninguém o vê descer
da cruz. Porquê, não sei.
Sei apenas que o escárnio,
o cuspo e o insulto de há dois mil anos
continuam, hoje, pregados
no seu rosto. Sem movimento algum
que lembre uma mudança.
A glória permanece nele, contudo.
É imensa. É eterna. É vitória.
Porém, ninguém parece dar por isso. 

Quinta-Feira Santa, 29/3/2018

                                       Teresa Ferrer Passos


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Na tarde desse dia, o primeiro da semana, veio Jesus e disse-lhes:
 "A paz seja convosco". Jo 20, 19


RESSURREIÇÃO

Ressurreição é muito, muito mais
Do que mera reversão da morte,
Do que voltarmos a ser tão vivos como antes,
Mortais mais uma vez,
Sujeitos à mesma condição,
À mesma tirania,
Cujo ferrete nos marcou
Antes até do nosso nascimento;
Ressuscitar não é voltar a ser,
Ressuscitar é ser de outra maneira.

Os fios físico-químicos da teia que nos prende
Podem romper-se
Como os fios do casulo da lagarta
Que teve de morrer
A fim de que um dia renascesse
Sob uma nova forma.

E Cristo escancara as portas do mistério,
Mostra os motivos da nossa servidão,
Aponta ao longe a liberdade,
Muito para além das grades de uma lógica
Que nos descreve o mundo como Lei
Da qual despontam as ordens mecânicas do medo.

Transformemos o nosso ser em confiança
E mergulhemos, de olhos bem abertos,
No oceano infinito do Amor…

Sexta-Feira Santa, 30/3/2018

             Fernando Henrique de Passos


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Crucifixão de Giotto (século XIV)

PARA ALÉM DE MIM


A dor de um pesadelo penetra no meu sangue,
o pesadelo da cruz que carrego nos dias,
dias intermináveis, esgotados, sem fim.

Ó Maria, o olhar do teu coração de Mãe sangra 
devagar no meu tronco enviesado em sombra.

Ó Maria, Mãe atravessada pelo meu pó 
feito do universo inteiro, pega-me na mão!

Ó Maria, Esposa num silêncio vago, de susto, 
as tuas lágrimas flagelam
a verdade do mundo inteiro.

21 de Março de 2018
                                                       Teresa Ferrer Passos


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Flores no deserto de Judá

ACERCA DA PAIXÃO DE CRISTO


Não é possível conceber situações físicas em que a distância de A a B seja diferente da distância de B a A, mas no mundo do Espírito isso pode acontecer, e é de facto o que acontece na relação de Deus com o Homem: Deus vê o Homem infinitamente perto, pois habita no seu interior; o Homem vê Deus infinitamente longe, pois só tem olhos para o exterior. Na Encarnação, para se tornar próximo do Homem, Deus tornou-se exterior a ele. Assim, o Homem conseguiu ver Deus ao pé de si, mas ao mesmo tempo Deus passou a sentir-se infinitamente distante do Homem, porque separado dele como nunca fora. A agonia da cruz é o paroxismo desta separação ─ aquilo que em teologia se chama derrelição. O que nós vemos na Paixão como tortura física deve ser para Deus uma picada de alfinete. (De resto, infelizmente, muitos homens passaram já por torturas semelhantes ou até piores.) Mas essa dor física representa-nos a dor que nós não podemos ver: a dor espiritual, verdadeiramente infinita, do Criador que se vê apartado das Suas criaturas.

15/4/2017 (e Páscoa/2018)
Fernando Henrique de Passos




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«Ninguém jamais viu a Deus: o Filho único, que está no seio do Pai é que O deu a conhecer»
Jo 1, 18


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terça-feira, 13 de março de 2018

A dinâmica evangélica do Papa Francisco



O Papa emérito Bento XVI escreveu uma carta por ocasião da apresentação de A Teologia do Papa Francisco, da Livraria Editora Vaticana, sublinhando: «Aplaudo esta iniciativa que se opõe e reage ao preconceito tolo segundo o qual o Papa Francisco seria apenas um homem prático, desprovido de uma particular formação teológica ou filosófica, enquanto eu seria unicamente um teórico da teologia que teria pouco entendido a vida concreta de um cristão hoje».

Estas palavras do Papa Bento XVI mostram como estes cinco anos do Pontificado de Francisco trouxeram um sucessor de quem se sente orgulhoso. Nestes cinco anos, o Bispo de Roma foi capaz de dinamizar a Igreja Universal, com uma linguagem certeira, sem lhe retirar uma funda reflexão ao fazer notáveis comentários do Evangelho, com duas dimensões maiores: o rumo aos pobres e o rumo às virtudes.

O Papa Francisco ressuscitou, após quase oito séculos, o espírito bom e sábio daquele Francisco de Assis que orando, perguntou a Jesus: «Senhor, que quereis que eu faça?». E ouviu esta resposta: «Reconstrói a minha igreja que está em ruínas». Os dois rumos - o dos pobres e o das virtudes - também têm estado sempre presentes no espírito e na ação do Papa Francisco.

Em Francisco de Assis e no Papa Francisco, os dois rumos foram seguidos até à ousadia, ao risco, à perseguição dos seus contemporâneos. Este o preço, hoje como no passado, de estar disposto a perseverar, com indomável vontade, numa fé inabalável.

13 de Março de 2018
Teresa Ferrer Passos

segunda-feira, 12 de março de 2018

No 5º aniversário da eleição do Papa Francisco


O Papa Francisco completa, amanhã, dia 13 de Março de 2018, cinco anos de Pontificado da Igreja Católica.

De um desassombro imprevisto, o Papa Francisco soube marcá-los pela coragem de ser polémico para romper com erros; de pôr em causa tradições pouco fiéis a Jesus Cristo; de usar uma linguagem capaz de atrair um mundo hostil.

E soube, sobretudo, defrontar a sociedade laica e eclesial, com um olhar frontal, transparente e audaz apesar de toda a contestação daqueles que não se interrogam, não se conseguem interrogar, perante Deus.

T.F.P.

Recordemos palavras do Papa Francisco, proferidas há poucas horas na capela da Casa de Santa Marta, no Vaticano:

«"Onde está a fé? Ver um milagre, um prodígio e dizer: ‘Mas Tu tens a potência, Tu és Deus’, sim, é um ato de fé, mas pequenino assim. Porque é evidente que este homem tem um poder forte; mas ali começa a fé, que depois deve ir avante. Onde está o seu desejo de Deus? Porque a fé é isto: ter o desejo de encontrar Deus, encontrá-Lo, estar com Ele, ser feliz com Ele." (...)

“Porque existem muitos cristãos parados, que não caminham; cristãos atolados nas coisas de todos os dias – bons, bons! – mas não crescem, permanecem pequenos. Cristãos estacionados: estacionam. Cristãos enjaulados que não sabem voar com o sonho a esta bela coisa para a qual o Senhor nos chama”.»

sexta-feira, 9 de março de 2018

O Sacrifício de Cristo é gratuito



«A Missa não se paga. É o sacrifício de Cristo, que é gratuito. A redenção é gratuita.»

     Papa Francisco na «Oração Eucarística», no Vaticano, em 7 de Março de 2018.

quinta-feira, 8 de março de 2018

Hildegarda de Bingen, talvez a primeira a lutar pela emancipação da mulher


Pintura de Hildegard von Bingen



     Hildegarda de Bingen (1098-1179), nasceu no Sul da Alemanha e ingressou na ordem beneditina na infância. Aos 15 anos professou. Na biblioteca do mosteiro, o estudo aliou-se à sua inteligência e sensibilidade. O seu gosto pelo aprofundamento dos conhecimentos da época, tornou-a uma das mulheres mais sábias da Idade Média. Cultivou a pintura, a medicina, a teologia, a música gregoriana, a biologia e a poesia.

     A sua vida mística conjugou-se com a sua capacidade profética. Contra aqueles que a olhavam com desconfiança por ser mulher, nunca abdicou de defender a pureza do Evangelho de Cristo. As suas cartas a criticar um clero ávido de benefícios e pouco escrupuloso na prática da doutrina de Jesus, mostraram a sua personalidade arrojada, intemerata mesmo. Não tinha medo de denunciar os que desobedeciam a Deus, de combater heréticos assim como de se impor perante o próprio Papa.

     Fiel aos princípios de uma Igreja unida à volta de Jesus, escreveu lindos poemas à Virgem, «Santa Maria», sempre realçando as suas imensas virtudes. Escreve Hildegarda: «O teu Nascituro do céu enviado deste ao mundo». Na invocação do poema XXI de «Santa Maria», chama a atenção para Maria como «autora de vida» e também aquela que «reedifica a salvação»(1). 

     No poema XXV de «Santa Maria», Hildegarda eleva-A ao ponto de dizer: «Tu a morte destruíste / edificando a vida»(2). Assim, poderemos dizer que Maria é a Mulher única. Maria é a Mãe única. Ela é a «bênção suprema / em feminina forma / mais que toda a criatura», acentua Hildegarda. O seu estatuto é único, como Mulher e como Mãe. Então, não sobe Ela à altura de Deus? Pois, insiste ainda, Maria destruiu a morte: «Ilustre Virgem a destruiu»(3). 

     A Devoção solicitada ao mundo por Maria, a Senhora que «vem do Céu», como se identificou à escolhida pastorinha Lúcia, uma menina de dez anos, que iria transmitir a toda a Terra, as suas mensagens, confirma a altura a que subiu. Como Maria revelou a Lúcia, seu Filho, Jesus, enviava-A ao mundo para A «fazer conhecer e amar. Ele quer estabelecer no mundo a devoção ao meu imaculado coração» (4) 

     Na verdade, a Mulher foi o veículo a quem Deus teve de recorrer para a salvação da morte irremediável da humanidade. Assim o salientava Hildegarda, já no século XII. A salvação para o ser humano alcançar a vida eterna exigira a encarnação de Deus. Mas, o Salvador, o Filho de Deus, só podia salvar todo o ser humano com a plena colaboração de uma Mulher, e essa Mulher chamou-se Maria.

Dia Internacional da Mulher, 8 de Março de 2018

Teresa Ferrer Passos

(1) Hildegard von Bingen, Flor Brilhante (Tradução de Joaquim Félix de Carvalho e José Tolentino de Mendonça), Assírio & Alvim, 2004, p. 71. 
(2) Idem, Ibidem, p.73.
(3) Idem, Ibidem, p.79.
(4) Um Caminho sobre o olha de Maria – Biografia da Irmã Lúcia, Edições Carmelo, 2013, p. 57.


segunda-feira, 5 de março de 2018

Marcas que nunca passarão. A guerra



 Guerra na Síria

É urgente abrir uma via diplomática entre as partes beligerantes, Governo de Assad e rebeldes, com apoios na Rússia e nos EUA. Uma intervenção com carácter de urgência impunha-se da parte do Secretário Geral das Nações Unidas, António Guterres, mesmo que tivesse que arriscar uma viagem a Damasco, a Moscovo e a Washington.
Grandes combates em Goutha, já deixaram mais de 1.000 crianças mortas ou gravemente feridas, desde há dois meses - Janeiro e Fevereiro de 2018 -, afirmou um porta-voz do Fundo das Nações Unidas para a Infância - Unicef.

(Nota: Comentário no Facebook em 3/3/18, a propósito do artigo de Henrique Monteiro «Síria: A vergonha do mundo» (in Expresso, 3/3/2018)



Hoje é a Síria, amanhã dizem-nos que é a República Centro-Africana, depois de amanhã é a Venezuela... O mundo está a ser palco de uma onda gigante de violência nunca vista.

E começa logo nas famílias, os maus tratos aos velhos, às crianças, à mulher; os jovens nos EUA solitários e a disparar a morte nas escolas sobre outros jovens. Os crimes e as catástrofes naturais completam o cenário tão trágico que gera a revolta onde ainda não grassava e o inconformismo onde ainda havia esperança no coração. Que fazer? É a pergunta fatal que resta fazer. E Henrique Monteiro responde com o seu espírito acutilante e certeiro: Eis, "a vergonha do mundo".

Estamos cercados, a impotência em nós, num mundo dividido entre os poderosos e os pobres, entre os perseguidores e os perseguidos, um mundo a resvalar todos os dias para novos abismos, a abrirem-se como feridas que fecham depois, mas deixam cicatrizes, marcas que nunca passarão.

4/3/2018
Teresa Ferrer Passos




sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Na morte do Padre Dâmaso (1930-2018)



Padre Dâmaso Lambers

O Padre Dâmaso era Capelão da Prisão do Linhó, Sintra

Colaborador durante muitos anos da Rádio Renascença, escutei sempre com muito apreço as suas crónicas, transmitidas pelas 20, 30 h. Era a palavra do missionário que sobressaia. Uma palavra cheia de entusiasmo que sabia comunicar como poucos. A força que imprimia às suas mensagens radiofónicas, acentuava-se sempre pelo carinho muito especial pelos caídos nas malhas da prisão. E como o padre Dâmaso acreditava sempre poder levantá-los.

Amanhã, sábado, será celebrada missa de corpo presente, presidida pelo Cardeal patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, na Igreja de Nossa Senhora do Amparo (à Estrada de Benfica), em Lisboa.

23/2/2018
Teresa Ferrer Passos

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

A Aventura

Na igreja de S. Nicolau em Lisboa, em 19 de Fevereiro de 1994

(no 24º Aniversário do nosso casamento)

Que força nos trouxe até aqui,

Tão juntos, meu amor, e tão unidos,
Nas madrugadas em que rebentam tempestades
Com que o mundo pretende dissuadir-nos
De alcançar a luz do meio-dia?

Que mistério no côncavo das mãos,

– De duas mãos, a minha, a tua mão –
Que mistério nas duas enlaçadas?

Que vento a soprar de muito longe

Arrasta estrelas, e as lança no caminho,
Para que sejam o pó que nós pisamos?

Se só Deus sabe, amor, aonde vamos,

Sabemos todavia, tu e eu,
Que tudo o que fizemos e fazemos
É feito apenas porque nos amamos…

19/2/2018


Fernando Henrique de Passos

O tempo da paixão



Ventura foi a minha aventura de dar, na 
transparência do ser.

O princípio de mim
e o fim de ti entre-cruzados.
A paz a soltar-se e a sorver, sem tréguas,
a angústia acumulada e já caída por terra.

O olhar doce do meu caminho penetra a tua pureza.
As tuas palavras fundas e tão simples,
sem tempo algum, brotam cada hora em mim.

A leveza da paixão paira na memória,
desconhecendo o que é o fim e quase sem princípio.

O tempo da paixão,
igual desde o começo até ao fim do tempo,
num amor sem contar as horas, os dias ou os anos.
Só os relógios nos lembram a data, afinal, inesquecível! 

19 de Fevereiro de 2018

(no 24º aniversário do nosso casamento
na igreja de S. Nicolau, em Lisboa, sete meses
após nos termos conhecido na Fundação Gulbenkian)

                                                Teresa Ferrer Passos



quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

ORAÇÃO A S. FRANCISCO DE ASSIS

Francisco diz, olhando o Cristo de madeira corroída pelo caruncho. «Senhor, que quereis que eu faça?» Escuta: «Reconstrói a minha igreja que está em ruínas». Os destroços da hipocrisia caem sobre os Papas e os Cardeais. São eles os primeiros. Pregam o Amor e não lhe são fiéis; pregam e sabem que não dizem a verdade.

Francisco, reconstrói a Igreja de Jesus, hoje, lá dos Céus onde subiste, despido de vénias solenes e de louvores aos doutos cardeais.

Francisco, arrasa o cinismo dos primeiros,  que não olham as pessoas de frente e atrofiam no seu desprezo, as almas bem intencionadas.

Francisco, lembra aos primeiros, investidos em subterfúgios, para romperem com seculares tradições não assentes em Jesus, o Deus vivo, mas em outros cardeais de falsas sentenças.
   
Francisco, pede a Jesus que seguiste, e só a Ele seguiste, que derrube os primeiros dos seus tronos de soberba e deixem de viver tão distantes das Suas criaturas, numa Criação belíssima. 

12 de Fevereiro de 2018
(a propósito de uma Nota de 6 de Fevereiro de 2018 do Cardeal Manuel Clemente)

Teresa Ferrer Passos

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

A cultura do ecrã

A Livraria Leitura a fechar as suas portas... Aí fiz o lançamento do romance "O Segredo de Ana Plácido", publicado em 1995... Mais uma Livraria de qualidade da cidade do Porto, que se apaga! Em Lisboa, o caminho seguido tem sido o mesmo. Lembramos o caso recente da livraria Aillaud & Lellos, no Chiado. A cultura do ecrã que hoje domina a sociedade, ao ser veiculada por grandes grupos económicos empanturrados até ao delírio com as vantagens de um consumo desenfreado, vai matando, ao ignorar, os valores das minorias. As minorias cada vez mais consideradas inúteis e prejudiciais! E nestas minorias se incluem, talvez, e, em primeiro lugar, as pequenas livrarias dos bairros antigos das nossas cidades...
T.F.P.

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Itinerário Novo: uma Escola do Santuário



Uma Escola do Santuário começou, este mês, no Santuário de Fátima, dedicada às questões levantadas pelo Papa na sua visita a Fátima, a 12 e 13 Maio de 2017.





Nos dias 27 e 28 deste mês, o primeiro Itinerário, da responsabilidade do Padre José Nuno, partiu da frase do Papa Francisco: "Nossa Senhora de Fátima - Qual Maria?".

O objetivo do Diretor do Departamento de Pastoral da Mensagem de Fátima, Padre Doutor José Nuno Ferreira da Silva, é aprofundar as interrogações deixadas pelo Papa na Capelinha das Aparições, para corrigir alguns desvios da devoção mariana e descobrir Maria como "uma Mestra da vida espiritual"; a "bendita por ter acreditado" e a "Virgem Maria do Evangelho venerada pela Igreja Orante". A 17 e 18 de Março, o tema genérico será a "Trindade e Eucaristia, adoração e solidariedade"; em Abril, nos dias 21 e 22, fala-se sobre "Sofrimento e liberdade, sacrifício e reparação".

Bem vinda, a Escola do Santuário!
T.F.P.

domingo, 14 de janeiro de 2018

Celebração

Fernando no seu trabalho diário, em 2008

neste dia, o sol veio ter connosco
como se tivesse fome.
não sei porquê, mas a luz do teu olhar
encandeou-o, de súbito.

Pus a mesa com a toalha de renda
e uma vela sobre o bolo a indicar mais um ano.
Ao lado, o presépio ainda. E olhamos
o Deus que nasceu há tão pouco,
como tu, num dia frio,
tão igual, tão diferente...
Hoje é dia dos teus anos.
Vamos ver a tua mãe, para celebrar.
Como no dia em que nasceste, celebremos,
com alegria. Celebremos a vida,
bem dentro de ti e a renascer 
à altura dos teus sonhos!  

14 de Janeiro de 2018
                                                             Teresa Ferrer Passos

domingo, 7 de janeiro de 2018

A assistência aos doentes nos hospitais, no Portugal contemporâneo

Hospital de Faro, Serviço de urgências

Ontem, na RTP, as imagens (seria a prisão de Guantanamo?!) dos doentes "empilhados" no hospital de Faro, capital do Algarve, foi atroz! Como é possível, em Portugal e, precisamente na região de turismo mais rica deste país, os doentes sejam tratados desta maneira cruel?! Ouvi estupefacta a voz que dava testemunho do que se passa nesse hospital do SNS. Como é que os hospitais do SNS recebem e tratam os doentes?! Será que tratam ou deixam morrer?! É assim que os doentes são tratados?! Sem assistência, ou seja, sem a higiene primária, sem a alimentação necessária a qualquer ser humano?! Sem o tratamento humano mínimo?! Onde estamos?! Na Síria flagelada pela sangrenta guerra civil de anos?! Ou num dos países mais atrasados de África?! Estaremos na Europa com os seus valores humanos e humanizadores?! Ou continuamos com leis e mais leis inúteis e até sem uma legislação humanizada para o Sistema Nacional de Saúde?!!! Sucessivos ministros da Saúde nada fizeram! E em quantos outros hospitais de Portugal, a situação aberrante não é idêntica?!
E, agora lembro a atuação do Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa a ajudar os doentes com palavras e gestos no hospital do Rego, em Lisboa. Precisamente quando já podia andar, após uma cirurgia, não se fez rogado em dar auxílio aos mais fracos do que ele. Porque espera o pessoal de enfermagem e médico para o fazer, mesmo para além do seu horário pago? Será que só à custa de dinheiro é que se pode dar alguma coisa de nós aos doentes?! E deixam-nos, sem consciência, ali, nos corredores ou na urgência (?!), simplesmente abandonados....*

Lisboa, 7 de Janeiro de 2018
Teresa Ferrer Passos

* Este comentário foi endereçado (via e-mail da Presidência da República) ao Senhor Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa. Também foi publicado na página do Facebook da autora.

sábado, 6 de janeiro de 2018

Dia de Reis, o encontro do Rei dos judeus pelos Magos do Oriente



«A estrela conduz os magos, primeiro, somente até à Judeia. É inteiramente normal que eles, à procura do recém-nascido rei dos judeus vão à cidade régia de Israel (Jerusalém) e entrem no palácio do rei; deveria lá nascer o futuro rei.» 
«O rei Herodes perturbou-se (Mt 2,3).»
«Herodes convoca todos os Supremos Sacerdotes». E a resposta é uma citação do profeta: " E tu, Belém, terra de Judá (...), de ti vai nascer o Príncipe que há de apascentar o meu povo de Israel".»
«Depois, os magos vêem de novo a estrela brilhante e seguem para Belém: "E entrando viram o Menino com Maria, sua mãe" (Mt 2, 10).»
     Do livro Jesus de Nazaré - A Infância de Jesus da autoria do Papa Emérito Bento XVI

O Menino, que se deveria chamar Jesus, o Rei divino esperado pelos profetas e anunciado pelo Anjo a Maria, não estava num palácio, como seria natural, mas deitado entre as palhas de uma manjedoura, na humildade maior e nunca suspeitada.
T.F.P.