segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

A Aventura

Na igreja de S. Nicolau em Lisboa, em 19 de Fevereiro de 1994

(no 24º Aniversário do nosso casamento)

Que força nos trouxe até aqui,

Tão juntos, meu amor, e tão unidos,
Nas madrugadas em que rebentam tempestades
Com que o mundo pretende dissuadir-nos
De alcançar a luz do meio-dia?

Que mistério no côncavo das mãos,

– De duas mãos, a minha, a tua mão –
Que mistério nas duas enlaçadas?

Que vento a soprar de muito longe

Arrasta estrelas, e as lança no caminho,
Para que sejam o pó que nós pisamos?

Se só Deus sabe, amor, aonde vamos,

Sabemos todavia, tu e eu,
Que tudo o que fizemos e fazemos
É feito apenas porque nos amamos…

19/2/2018


Fernando Henrique de Passos

O tempo da paixão



Ventura foi a minha aventura de dar, na 
transparência do ser.

O princípio de mim
e o fim de ti entre-cruzados.
A paz a soltar-se e a sorver, sem tréguas,
a angústia acumulada e já caída por terra.

O olhar doce do meu caminho penetra a tua pureza.
As tuas palavras fundas e tão simples,
sem tempo algum, brotam cada hora em mim.

A leveza da paixão paira na memória,
desconhecendo o que é o fim e quase sem princípio.

O tempo da paixão,
igual desde o começo até ao fim do tempo,
num amor sem contar as horas, os dias ou os anos.
Só os relógios nos lembram a data, afinal, inesquecível! 

19 de Fevereiro de 2018

(no 24º aniversário do nosso casamento
na igreja de S. Nicolau, em Lisboa, sete meses
após nos termos conhecido na Fundação Gulbenkian)

                                                Teresa Ferrer Passos



quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

ORAÇÃO A S. FRANCISCO DE ASSIS

Francisco diz, olhando o Cristo de madeira corroída pelo caruncho. «Senhor, que quereis que eu faça?» Escuta: «Reconstrói a minha igreja que está em ruínas». Os destroços da hipocrisia caem sobre os Papas e os Cardeais. São eles os primeiros. Pregam o Amor e não lhe são fiéis; pregam e sabem que não dizem a verdade.

Francisco, reconstrói a Igreja de Jesus, hoje, lá dos Céus onde subiste, despido de vénias solenes e de louvores aos doutos cardeais.

Francisco, arrasa o cinismo dos primeiros,  que não olham as pessoas de frente e atrofiam no seu desprezo, as almas bem intencionadas.

Francisco, lembra aos primeiros, investidos em subterfúgios, para romperem com seculares tradições não assentes em Jesus, o Deus vivo, mas em outros cardeais de falsas sentenças.
   
Francisco, pede a Jesus que seguiste, e só a Ele seguiste, que derrube os primeiros dos seus tronos de soberba e deixem de viver tão distantes das Suas criaturas, numa Criação belíssima. 

12 de Fevereiro de 2018
(a propósito de uma Nota de 6 de Fevereiro de 2018 do Cardeal Manuel Clemente)

Teresa Ferrer Passos

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

A cultura do ecrã

A Livraria Leitura a fechar as suas portas... Aí fiz o lançamento do romance "O Segredo de Ana Plácido", publicado em 1995... Mais uma Livraria de qualidade da cidade do Porto, que se apaga! Em Lisboa, o caminho seguido tem sido o mesmo. Lembramos o caso recente da livraria Aillaud & Lellos, no Chiado. A cultura do ecrã que hoje domina a sociedade, ao ser veiculada por grandes grupos económicos empanturrados até ao delírio com as vantagens de um consumo desenfreado, vai matando, ao ignorar, os valores das minorias. As minorias cada vez mais consideradas inúteis e prejudiciais! E nestas minorias se incluem, talvez, e, em primeiro lugar, as pequenas livrarias dos bairros antigos das nossas cidades...
T.F.P.

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Itinerário Novo: uma Escola do Santuário



Uma Escola do Santuário começou, este mês, no Santuário de Fátima, dedicada às questões levantadas pelo Papa na sua visita a Fátima, a 12 e 13 Maio de 2017.





Nos dias 27 e 28 deste mês, o primeiro Itinerário, da responsabilidade do Padre José Nuno, partiu da frase do Papa Francisco: "Nossa Senhora de Fátima - Qual Maria?".

O objetivo do Diretor do Departamento de Pastoral da Mensagem de Fátima, Padre Doutor José Nuno Ferreira da Silva, é aprofundar as interrogações deixadas pelo Papa na Capelinha das Aparições, para corrigir alguns desvios da devoção mariana e descobrir Maria como "uma Mestra da vida espiritual"; a "bendita por ter acreditado" e a "Virgem Maria do Evangelho venerada pela Igreja Orante". A 17 e 18 de Março, o tema genérico será a "Trindade e Eucaristia, adoração e solidariedade"; em Abril, nos dias 21 e 22, fala-se sobre "Sofrimento e liberdade, sacrifício e reparação".

Bem vinda, a Escola do Santuário!
T.F.P.

domingo, 14 de janeiro de 2018

Celebração

Fernando no seu trabalho diário, em 2008

neste dia, o sol veio ter connosco
como se tivesse fome.
não sei porquê, mas a luz do teu olhar
encandeou-o, de súbito.

Pus a mesa com a toalha de renda
e uma vela sobre o bolo a indicar mais um ano.
Ao lado, o presépio ainda. E olhamos
o Deus que nasceu há tão pouco,
como tu, num dia frio,
tão igual, tão diferente...
Hoje é dia dos teus anos.
Vamos ver a tua mãe, para celebrar.
Como no dia em que nasceste, celebremos,
com alegria. Celebremos a vida,
bem dentro de ti e a renascer 
à altura dos teus sonhos!  

14 de Janeiro de 2018
                                                             Teresa Ferrer Passos

domingo, 7 de janeiro de 2018

A assistência aos doentes nos hospitais, no Portugal contemporâneo

Hospital de Faro, Serviço de urgências

Ontem, na RTP, as imagens (seria a prisão de Guantanamo?!) dos doentes "empilhados" no hospital de Faro, capital do Algarve, foi atroz! Como é possível, em Portugal e, precisamente na região de turismo mais rica deste país, os doentes sejam tratados desta maneira cruel?! Ouvi estupefacta a voz que dava testemunho do que se passa nesse hospital do SNS. Como é que os hospitais do SNS recebem e tratam os doentes?! Será que tratam ou deixam morrer?! É assim que os doentes são tratados?! Sem assistência, ou seja, sem a higiene primária, sem a alimentação necessária a qualquer ser humano?! Sem o tratamento humano mínimo?! Onde estamos?! Na Síria flagelada pela sangrenta guerra civil de anos?! Ou num dos países mais atrasados de África?! Estaremos na Europa com os seus valores humanos e humanizadores?! Ou continuamos com leis e mais leis inúteis e até sem uma legislação humanizada para o Sistema Nacional de Saúde?!!! Sucessivos ministros da Saúde nada fizeram! E em quantos outros hospitais de Portugal, a situação aberrante não é idêntica?!
E, agora lembro a atuação do Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa a ajudar os doentes com palavras e gestos no hospital do Rego, em Lisboa. Precisamente quando já podia andar, após uma cirurgia, não se fez rogado em dar auxílio aos mais fracos do que ele. Porque espera o pessoal de enfermagem e médico para o fazer, mesmo para além do seu horário pago? Será que só à custa de dinheiro é que se pode dar alguma coisa de nós aos doentes?! E deixam-nos, sem consciência, ali, nos corredores ou na urgência (?!), simplesmente abandonados....*

Lisboa, 7 de Janeiro de 2018
Teresa Ferrer Passos

* Este comentário foi endereçado (via e-mail da Presidência da República) ao Senhor Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa. Também foi publicado na página do Facebook da autora.

sábado, 6 de janeiro de 2018

Dia de Reis, o encontro do Rei dos judeus pelos Magos do Oriente



«A estrela conduz os magos, primeiro, somente até à Judeia. É inteiramente normal que eles, à procura do recém-nascido rei dos judeus vão à cidade régia de Israel (Jerusalém) e entrem no palácio do rei; deveria lá nascer o futuro rei.» 
«O rei Herodes perturbou-se (Mt 2,3).»
«Herodes convoca todos os Supremos Sacerdotes». E a resposta é uma citação do profeta: " E tu, Belém, terra de Judá (...), de ti vai nascer o Príncipe que há de apascentar o meu povo de Israel".»
«Depois, os magos vêem de novo a estrela brilhante e seguem para Belém: "E entrando viram o Menino com Maria, sua mãe" (Mt 2, 10).»
     Do livro Jesus de Nazaré - A Infância de Jesus da autoria do Papa Emérito Bento XVI

O Menino, que se deveria chamar Jesus, o Rei divino esperado pelos profetas e anunciado pelo Anjo a Maria, não estava num palácio, como seria natural, mas deitado entre as palhas de uma manjedoura, na humildade maior e nunca suspeitada.
T.F.P.

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

DOSSIER/NATAL 2017



CELEBRAREI O TEU NOME POR TODAS AS GERAÇÕES 


Virgem Maria Rainha

«(…) Mirra, aloés e cássia,
perfumam os teus vestidos.
Nos palácios de marfim, as
harpas te alegram.
As filhas dos reis, ornadas de jóias,
se apresentam,
e à tua direita, de pé, Senhor, está a rainha,
em ouro de Ofir.
Ouve, filha, vê e presta atenção:
esquece o teu povo e a casa do
teu pai.
Porque o rei se deixou prender
Da tua beleza,
ele é agora o teu senhor: ren-
de-lhe homenagem!
As filhas de Tiro vêm com os seus
presentes;
os grandes do povo rendem-te
homenagem.
A filha do rei é toda esplendor no
interior,
tecido de ouro puro é o seu
vestido (…)
Celebrarei o teu nome por todas
as gerações,
de modo que os povos te hão-de
louvar por todo o sempre»

Salmo 45, 10-12, 13-14 e 18*


*É neste Salmo que Andrea de Creta (santo para as Igrejas do Próximo Oriente) encontra o fundamento da sua devoção a Maria, Rainha.








Israel no tempo em que Jesus nasceu, em Belém



A ENCARNAÇÃO DE DEUS ou o Nascimento de JESUS


O "cantor do Verbo encarnado e da Imaculada Conceição de Maria", J. Duns Scott (1265-1308), filósofo e teólogo franciscano, viria a ser beatificado pelo Papa João Paulo II, em 1993. Autor de Tratado do Primeiro Princípio, defendeu uma tese inovadora para o seu tempo: a Encarnação não se deveu ao pecado, mas a um plano salvífico do Bom Deus.

O plano salvador de Deus implicou logo a encarnação divina. Desde o Princípio. O nascimento de Jesus Cristo, Verbo divino era o epílogo. Perante um ser humano em que conviviam o bem e o mal e em que o bem era muitas vezes vencido, Deus sabia que era necessário intervir. Era preciso que o Seu Espírito Santo fosse conhecido, fosse revelado como um Pai que ama os seus filhos adotivos.

Era preciso que a humanidade se salvasse da morte irremediável que a condição humana implicava: “Não vim por causa dos justos, mas para chamar os pecadores ao arrependimento” (Mt 9, 13). 

Deus quis indicar, com a Palavra de Jesus, o Caminho do Bem. Com o nascimento de Jesus, o Deus que se torna humano, a salvação da morte é possível: com a pregação, o exemplo e a ressurreição após a morte na cruz, Deus oferecia o Seu reino espiritual a todos os seres humanos que O seguissem.

E foi através da aceitação da missão de ser a mãe do Salvador do mundo, que Maria Santíssima abriu as portas à salvação do Homem, aproximando do ser humano a eternidade. Tudo conforme a vontade do Altíssimo que «n’ Ela fez grandes coisas», com vista a concretizar uma nova e eterna Aliança entre Deus e a humanidade. Uma Aliança definitiva nascia com o nascimento Jesus, Filho de Deus e de Maria, a cheia de graça.

Porém, era necessário que o Homem quisesse aceitar a proposta divina. Por isso, Jesus disse: “Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz, e siga-me” (Mt 16, 24). 

Seguir a humildade do Presépio é seguir Jesus. Ao segui-Lo, realiza-se o plano supremo do Pai celeste que procura salvar todas as gerações da condenação do mundo material à morte. Pelo espírito bom se poderão salvar desta contingência.

Lembremos as palavras do Prólogo do Evangelho segundo S. João: «Ninguém jamais viu a Deus: O Filho único, que está no seio do Pai é que O deu a conhecer» (Jo 1, 18). E S. João oferece-nos um evangelho em que a santidade do espírito é prevalecente. A santidade, esse Caminho para a vida eterna.    


20/12/2017


Teresa Ferrer Passos









O MISTÉRIO DO NATAL

1. A Dúvida

Primeiro não sei nada,
só sei que o mundo inteiro
é interrogação
mistura sem sentido
de dor e de prazer.

Depois nasce um bebé
por baixo de uma estrela
num estábulo perdido
e dizem-me que é Deus.

O Todo-Poderoso?
O Criador de Tudo?
O Quase Inominável?
Que veio aqui fazer,
com formas tão humanas
e tão desprotegido,
tão ávido de leite
e do amor da Mãe?

E sofre como nós
(garantem-me que sim)
e morre como nós
mas vai morrer na cruz
em máxima agonia…

2. A Descoberta

… Mistério de uma noite
aberta em pleno dia
chupando todo o negro
como um mata-borrão…

… Mistério da bondade
de um Deus que abre o caminho
rasgando com seu corpo
as frestas que conduzem
do Mundo à Salvação…

Só temos de o seguir,
então porquê esperar?
Podemos começar
talvez neste Natal
olhando o tal bebé
tão semelhante a nós,
tão ávido de leite
e do amor da Mãe
mas contudo tão firme
tão forte na bondade
sereno na certeza
de que se ganha dando
e que as portas do Céu
estão desde sempre abertas
a quem se abre ao Amor.

19/12/2017

           Fernando Henrique de Passos









não podes vê-lo

mas sempre que estás com ele
vives um pouco mais de ti

e então respiras

o que ele é
veio através da chuva

e sobre ti
caiu

Carlos Lopes Pires


                    (a noite que nenhuma mão alcança, 2018)








Nascimento de Jesus num estábulo em Belém, perto de Jerusalém.

O PRIMEIRO NATAL DO MENINO JESUS

Que noite tão escura,
Menino Jesus!
E tu à procura…
Que procuras tu?

Teu berço vazio,
Maria a chorar…
Volta para a gruta,
Não ouves chamar?

É o teu Natal,
Tens de estar ali…
Como pode haver
Um Natal sem ti?

Pára de correr,
Menino Jesus,
Que ainda vais ferir
Teus pezitos nus…

Volta para a gruta
E terás imenso.
Tens à tua espera
Ouro, mirra, incenso…

Tens à tua espera
Pastores e pastoras,
Eles reverentes,
Elas protectoras…

Tens o S. José,
Que lá está também,
Mas, mais do que tudo,
Tens a tua Mãe!

É noite cerrada,
Já te vejo a custo.
Que buscas agora
Atrás desse arbusto?

“É uma ovelhinha,
Tinha-se perdido.
É o meu Natal?
Tinha-me esquecido…”

Já dormes de novo
No teu berço alvo.
Vela-te, a teus pés,
O bichinho salvo…

20/12/2010

         Fernando Henrique de Passos







AS PALMEIRAS

Também o deserto vem
do mar. Não sei em que navio,
mas foi desses lugares
que chegaram ao meu jardim
as palmeiras.
Com o sol das areias
em cada folha,
na coroa o sopro
ainda húmido das estrelas.
             
                     Eugénio de Andrade, Ofício de Paciência, p. 34.




Nossa Senhora do Ó ou da Expectação
 (séc. XIV)

«Está próxima a hora… e logo no meu corpo nascerá a criança divina para a salvação dos que praticam o mal. Dizia para si Maria, sem ninguém conseguir escutar a sua voz. E via, com um desmedido contentamento, o seu corpo a encher-se de uma forma ovalóide, sob os panejamentos de linho que a cobriam. Crescerá no meu ventre aquele que vem para perdoar, não para condenar, dizia a José, sorrindo. Então, a felicidade crescia nela e era tão funda que os seus olhos transbordavam de lágrimas brilhantes como o sol.»

               Teresa Ferrer Passos, Jesus até ao Fundo do Coração (romance), Lisboa, Chiado, 2016, p.39.






MEDITAÇÃO SOBRE O NATAL

( invoco, para a Musa, o 10 de Copas Arcano )
In memoriam de D. Manuel Martins
ao Padre José Tolentino Mendonça
de todo o coração, ao meu Irmão Luís André

«Felizes os que têm fome e sede de
justiça, porque serão saciados.»
                                                Mateus, 5, 6  


Uma Estrela me alumia
Nesta leira e neste vale.
Terça-feira, agora é dia,
Dizem todos: é Natal.

Que esta vida santa seja,
Pois há fome, no entanto,
Sete velas na igreja
Mas, ao lado, ali há pranto.

Passam damas e burguesas
Passeando o seu perfume:
Para o pobre, não há rezas,
Numa ceia, não há lume.

Mas se a Luz abençoada
É qual lavra e rouxinol,
Meus irmãos, é madrugada,
Miseráveis, vede o Sol.

E ó piratas da finança,
Capitalistas, ufanos:
Vai nascer uma criança
Para nós, samaritanos.

Ó riquezas do porvir,
Oligarquias, colectas:
O Menino vai florir
Té na lama das sarjetas.

Pois se, ó rico, ó farisaico,
O deus-cifrão te alicia,
- Ó primatas do prosaico,
O Natal é Poesia!!!!!!!!!!!

 MISERANDO ATQUE ELIGENDO

                                        Paulo Jorge Brito e Abreu


 


BOM NATAL NA PAZ DE JESUS CRISTO!